
Revista Crítica Nacional
Setembro Negro
A história de Israel é eivada de relações contraditórias com seus inimigos de morte declarados. Contradições que têm como raiz a dependência existencial que Israel tem com Washington.
Nos anos 70 a organização terrorista OLP esteve a ponto de ser dizimada pelo Reino da Jordânia. Os terroristas haviam se alojado em território jordaniano fugindo das forças israelenses durante a Guerra dos Seis Dias de 1967.
Estando na Jordânia, a OLP tentou derrubar o regime hashemita do Rei Hussein, que reagiu iniciando um massacre dos guerrilheiros "palestinos" (o Setembro Negro) que então, sob os auspícios de Washington e da ONU, fugiram para o sul do Líbano.
Na fuga, tiveram a proteção e salvo condutoo das Forças Israelenses, por ordem de Washington.
A presença dos guerrilheiros no sul do Líbano aprofundou a crise política naquele país, a outrora Suíça do Oriente Médio, dando início a Guerra Civil do Líbano, que gerou uma diáspora libanesa gigantesca e a perda da soberania do país, que se tornou na prática um protetorado da Síria sob controle indireto de Moscou e com partes de seu território, principalmente o sul, sob domínio permanente de grupos terroristas "palestinos", que usam a região como pontos de ataques contra Israel, como ocorre até hoje. Resultado da sempre desastrosa política externa de Washington, seja sob governo Dem ou Rep, para o Oriente Médio.
Paulo Eneas
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Israel e Hezbollah concordam com nova trégua, diz agência
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Ou seja, mais uma vez na história de Israel o país vai ter que fazer um acordo de paz com quem quer varre-lo do mapa e "jogar os judeus ao mar (Mediterrâneo, expressão cunhada pelo terrorista Yasser Arafat nos anos sessenta) por imposição e força de seu principal aliado, Washington.
Paulo Eneas
Essa notícia está em quase todas as mídias nacionais e estrangeiras desde ontem a tarde: o desdobramento da guerra EUA x Irã poderá ser péssimo para Israel, pois resultará no fortalecimento do maior e mais ameaçador inimigo do Estado de Israel. *Exatamente como eu havia apontado em texto distribuído aos seguidores dias atrás*.
O desdobramento dessa guerra trumpista poderá resultar em uma das maiores traições dos EUA a Israel, uma traição maior do que aquela de Obama quando do acordo nuclear firmado com o Irã em 2015.
Obs: como meu tempo anda extremamente limitado, tentarei achar alguma "janela" entre hoje e amanhã para uma análise mais detalhada. Mas os fatos estão aí: resta saber o custo eleitoral que essa traição representará para Nethanyahu e qual vai ser o impacto entre os judeus norte-americanos nas eleições de midterms desse ano nos EUA.
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Ha um problema adicional na guerra de Trump Contra o Iran: o objetivo estratégico não é claro. Não se faz guerra, mesmo que defensiva, sem um objetivo estratégico bem definido. É como um trade no mercado: qual seu target profit (alvo de lucro) que justifica o risco tomado?
Trump deseja o que na guerra? Derrubar o regime dos aiatolás? Assumir o controle de Ormuz? Desmantelar o aparato nuclear iraniano? Se sim, por que Israel foi impedido por Washington mais de duas vezes de fazê-lo via ações de inteligência nas quais os israelenses são expert?
Uma biografia de Moshe Dayan, ex-premier e herói de guerra israelense relata esse ponto:
O livro narra que Moshe Dayan, então comandante militar de Israel teria perguntado a um interlocutor de alto escalão do Gov Nixon qual seria o objetivo estratégico dos EUA na Guerra do Vietnã.
O interlocutor disse: "queremos quebrar a capacidade de resistência dos Vietcongs (comunistas do Vietnã apoiados pela então URSS)".
Dayan teria respondido:
"Então vocês (americanos) vão perder essa guerra. Capacidade ou não de resistência do inimigo é uma circunstância do combate, não seu alvo".
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Paulo Eneas
Ditadura Teocrática do Iran Pode Sair Fortalecida da Guerra Trumpista
O site Hoje no Mundo Militar informa:
Segundo a agência estatal iraniana de notícias, o acordo que Trump disse que está praticamente certo com o Irã envolverá o fim da guerra também no Líbano (Israel terá de sair do sul do Líbano e não poderá mais atacar o Hezbollah), os EUA terão de retirar bases militares de áreas próximas do Irã, terão de levantas todas as sanções ao petróleo iraniano e todos os bloqueios navais, Trump terá de entregar imediatamente (antes do início das negociações) $12 bilhões de dólares em fundos iranianos congelados, com outros $12 bilhões libertados após a assinatura do acordo, e deverá se comprometer com um plano prevendo até $300 bilhões para a reconstrução de estruturas iranianas destruídas na guerra.
Em troca, o Irã disse que não desenvolverá armas nucleares, mas a discussão sobre o urânio enriquecido ficaria para uma segunda fase.
(...) Trump será obrigado a retirar bases militares da região do Golfo Pérsico, entregar dezenas de bilhões de dólares para o Irã e ainda reconstruir aquilo que foi destruído na guerra."
Minha Análise
Se o acordo de paz for mesmo firmado nesses termos, o grande perdedor de mais esse arroubo trumpista, além do próprio Trump, vai ser também o Estado de Israel, que agora terá um inimigo de morte mais fortalecido.
Em consequência, possivelmente nos próximos meses o governo de Netanyahu venha a cair por ter sido um dos fiadores da desastrada ação trumpista.
Como tem ocorrido nos últimos dois anos com todos os aliados estratégicos dos Estados Unidos, a ação delinquente de Donald Trump poderá também resultar na ascensão da esquerda ao poder em Israel.
Por que isso ocorre? Por que Trump é burro? Ele é, mas nem tanto. Ocorre que as ações trumpistas e da quadrilha de criminosos e agentes russos que controlam a Casa Branca são motivadas não por razões ideológicas, como os ativistas ingênuos da direita ocidental extremada querem acreditar.
A única coisa que move a quadrilha trumpista é a capacidade de uso do imenso poderio americano para influenciar movimentos dos mercados internacionais, onde a quadrilha fatura bilhões por meio de inside trading, uso ilegal de informações privilegiadas e não públicas para tomar posição no mercado.
Se o acordo for firmado nesses termos gerais, o regime de Teeran sairá fortalecido assim como os grupos terroristas bancados pelo Iran, Israel ficará mais vulnerável às ameaças constantes dos aiatolás, o mesmo ocorrendo com países árabes da região não hostis a Israel e ao Ocidente.
E por fim, obviamente Trump e sua quadrilha sairão mais bilionários com os ganhos que tiveram na manipulação de mercados de petróleo e ações que ocorreram a vistas claras ao longo dessas semanas de guerra.
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Paulo Eneas
Agente da Instabilidade Mundial
Donald Trump é o hoje o maior fator de instabilidade política, militar, econômica e de volatilidade dos mercados financeiros no mundo todo. Principais bolsas do mundo refletem essa insegurança generalizada, com quedas expressivas nas últimas semanas.
No Brasil, nossa Bolsa segue em quedas diárias quase consecutivas ha algumas semanas. Reflexo da instabilidade externa, oscilações abruptas no preço do petróleo e fatores políticos internos.
Parte do mercado brasileiro já está dando como líquida e certa a reeleição de Lula. Sim, o mercado é hostil a governos de esquerda: o que corre a boca pequena é que seria melhor um m*** como Bolsonaro do que Lula. Ouvi isso numa roda de conversa em evento de início de ano de uma corretora.
Aquela idiotice de que a "Faria Lima fez o L" nas eleições de 2022 é só feno apimentado para o gado minion.
A tendência é que esse cenário de instabilidade geopolítica, risco de guerra prolongada no Oriente Médio, oscilações abruptas no preço do petróleo e possível fortalecimento do dólar prossiga até às eleições de midterms dos EUA em novembro.
Donald Trump veio para dizimar qualquer possibilidade de paz e de normalidade geopolítica, pré condições para algum período de prosperidade (principalmente nos países emergentes como o nosso) no curto ou médio prazo.
E seguirá cumprindo seu papel destruidor, inclusive de interesses legítimos dos americanos, sem que aparentemente nada consiga para-lo.
Paulo Eneas
https://x.com/i/status/2064699475843600632
"Neste sentido, o bolsonarismo continua sendo o melhor escudo do lulismo contra uma oposição sem rabo-preso".
A análise de Felipe Moura Brasil está em linha com o que venho falando há tempos: o bolsonarismo é a (pseudo) direita com que a esquerda sempre sonhou.
Pois ele serve de escudo e de blindagem e guard rail contra qualquer possibilidade de uma direita séria liberal e democrática se firmar em oposição consistente e programática ao petismo.
Enquanto o flagelo moral e político do bolsonarismo continuar assombrando o espectro da direita, a esquerda petista continuará com grande probabilidade de permanecer no poder.
O nível de canalhice e traição nacional desses calhordas do bolsonarismo chegou num patamar inimaginável. Eles merecem levar uma surra de reio homérica nas eleições desse ano, ainda que seja do PT e do Lula, para nunca mais sequer ousarem disputar qualquer cargo público.
Embora eu ache que Flavio Racha possa realmente desistir no meio do caminho, pois possivelmente não terá estofo o bastante para levar uma campanha até o fim, ainda gostaria de vê-lo indo o dia do pleito, para ser reduzido a pó.
Parafraseando Lima Barreto em "Policarpo Quaresma", o bolsonarismo é nova versão das saúvas: ou Brasil acaba com o bolsonarismo ou bolsonarismo acaba com o Brasil.
Mais um Ataque de Trump Contra o Pix Brasileiro com Apoio dos Bolsonaros
Nas suas alegações formais sobre o Pix brasileiro, o Gov Trump afirma ser o instrumento financeiro um mecanismo estatal, o que é uma falácia.
O Pix começou a ser concebido ainda no início do Gov Temer, por iniciativa do Banco Central, e contou com a participação dos principais bancos privados do país na montagem desse sistema de pagamento.
Conceitualmente o Pix é um instrumento financeiro como qualquer outro, regulado pela autoridade monetária, o Banco Central, e que é operado majoritariamente por instituições financeiras privadas, desde os bancos tradicionais até as fintechs.
No mundo ocidental, as únicas transações e instrumentos financeiros não regulados pela autoridade monetária de um país são aquelas que ocorrem no submundo do crime organizado, tais como negócios envolvendo entorpecentes e tráfico de armas, além de certas modalidades de jogatina e prostituição, atividades nas quais Donald Trump fez sua fortuna em seus negócios pregressos com os russos.
Os argumentos trumpistas contra o Pix brasileiro fazem tanto sentido do ponto de vista do liberalismo econômico quanto os argumentos terraplanistas fazem sentido em relação a ciência da astronomia.
O fato de os Bolsonaros estarem em algum grau envolvidos em conluio com Trump em mais este ataque à soberania brasileira, e o fato desse ataque mirar num instrumento de mercado que abriu as portas do mercado financeiro para milhões de brasileiros mais pobres que antes estavam excluídos do sistema, apenas demonstra (para quem ainda tem dúvidas) o caráter anti-nacional e traidor do Brasil que o bolsonarismo representa.