
Sᴜᴍᴀ Tᴇᴏʟᴏ́ɢɪᴄᴀ
O mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios: Santo Tomás de Aquino, o Doutor Comum da Igreja.
Santo Tomás de Aquino, ora pro nobis
Da mihi, Domine, sedium tuarumassitricem sapientiam – Dá-me aquela sabedoria que está ao pé de ti no teu trono (3).
"Ó Deus, que ilustrastes a vossa Igreja com a erudição admirável de Santo Tomás, e a fecundastes com as suas santas obras, concedei-me compreender com minha inteligência o que ele ensinou, e imitar o que fez" (4).
Fazei-o pelo amor de Jesus Cristo, e pela intercessão de Maria Santíssima.
Referências:
(1) Lect. II Noct.
(2) Lect. II Noct.
(3) Sap IX. 4
(4) Or. Festi.
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I – Santo Afonso Maria de Ligório
MEDITAÇÃO
FESTA DE SANTO TOMÁS DE AQUINO
"Quasi sol refulgens, sic ille effulsit in templo Dei" -
"Como o sol resplandecente, assim ele resplandeceu no templo de Deus" (Ecclus L. 7)
Sumário.
É com justa razão que os fiéis dão a este Santo o nome de Sol; porquanto, assim como o sol material alumia e aquece a terra, Santo Tomás nos aquece com os seus exemplos e nos alumia com sua doutrina. Rendamos graças a Deus, por nos ter concedido este Astro benfazejo, e roguemos-lhe a graça de aproveitarmos o seu influxo salutar. Lembremo-nos, porém, de que a sabedoria celestial se adquire mais pela oração do que pelo estudo.
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I. Não é sem justa razão que os fiéis dão a Santo Tomás o nome de Sol; porquanto, assim como o sol material ilumina e aquece a terra, o Santo nos aquece com os seus exemplos e alumia-nos com sua doutrina.
Ele é em primeiro lugar um belo modelo de devoção à Virgem Santíssima. Desde criança se distinguiu pelo amor a nosso Senhor, engolindo um papelzinho no qual estava escrito a Ave-Maria, e que com suas lágrimas obteve que lhe restituíssem depois de lhe terem tirado das mãos. Desde então a grande Mãe de Deus tomou posse daquele coração inocente.
– É o Santo modelo de assiduidade na oração. Sendo ainda menino, o que mais desejava era que lhe ensinassem quem é Deus, e desde a idade de dez anos passava cada dia duas horas em oração, e afim de tratar mais livremente com Deus, tomou o hábito na Ordem de São Domingos, quando tinha apenas quatorze anos de idade.
É igualmente modelo de desapego do mundo e de firmeza heróica. Para lhe tirarem a resolução de se fazer religioso, os parentes o maltrataram e encerraram num cárcere; chegaram mesmo a mandar para junto dele uma mulher perdida afim de perverter. Mas o santo jovem venceu tudo. Não podendo fugir, como fez José, repeliu de si aquela mulher impudente com um tição em braça. Em recompensa disso os anjos cingiram-no com a cinta de perpétua virgindade.
É ainda modelo de caridade e de zelo pela glória de Deus e pela salvação das almas, promovendo-a por meio da pena, da palavra e da oração; acolhendo todos com mansidão e consolando e socorrendo onde pudesse.
É modelo de humildade; não fazendo nunca ostentação da sua sabedoria, nem afagando pensamentos de vaidade, pelo que no princípio o tiveram por pouco talentoso.
Finalmente, Santo Tomás é modelo de amor para com Deus. O que o Santo provou claramente, quando, perguntado por Jesus Cristo que galardão desejava por haver tão bem escrito sobre Ele, respondeu:
"Senhor, não quero senão só a Vós mesmo" (1).
– Regozija-te com o Santo, e promete ser-lhe sempre devoto. Lembra-te, porém, do que diz Santo Agostinho:
A verdadeira devoção consiste na imitação das virtudes do Santo por quem o venera – Vera devotio est imitari quem colimus
II. Santo Tomás é chamado de Sol, não só porque nos aquece pelos seus exemplos, mas também, e mais ainda, porque nos alumia com a sua doutrina. As muitas obras com que enriqueceu a Igreja, são outros tantos monumentos da sua profunda ciência humana e divina. Cada artigo é um prodígio de sabedoria, cada linha uma sentença, digna de ser escrita em letras de ouro. Baste-nos saber que o Concílio de Trento não hesitou em se servir das próprias palavras do Santo para formular as suas decisões.
– Numa palavra, é tão vasta a ciência do Santo, que mereceu o título de Doutor Angélico, de Padroeiro das escolas católicas. Jesus Cristo mesmo se dignou tecer-lhe elogio com estas palavras notáveis:
Bene scripsisti de me, Thomas – "Tomás, escreveste bem sobre mim" (2).
Agradece a Deus o ter feito surgir na sua Igreja este novo Astro, que alumiará até ao fim dos séculos, e pede-lhe pelos méritos do Santo a graça de aproveitares as suas luzes. Para este fim é necessário que imites a Santo Tomás, que adquiriu tamanha ciência não só pelo estudo, mas também e muito mais pela oração assídua, acompanhada de penitências e jejuns: Nunca o Santo se pôs a estudar sem que primeiro recorresse ao Pai das luzes:
SANTO TOMÁS DE AQUINO, CONFESSOR – 07 DE MARÇO
“Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra”
(São Mateus 5,14).
São Tomás de Aquino é para a Igreja, o que o sol é para o mundo. Ele a ilustrou com sua ciência e com sua santidade. A partir dos 5 anos, ele orava duas horas por dia. Entrou na Ordem de Santo Domingo, e nela perseverou depois de resistir com integridade às ameaças de seus parentes, que se esforçaram para fazê-lo renunciar à sua vocação. Todos os dias ele celebrava uma missa e ouvia outra. Aos pés do crucifixo foi onde ele buscou a solução das dificuldades que encontrou no estudo da teologia. Ele morreu em 1274.
MEDITAÇÃO SOBRE SANTO TOMÁS DE AQUINO
I. Santo Tomás foi para a Igreja como um sol brilhante. Sua prodigiosa erudição lhe valeu o título de Doutor Angélico. Seus escritos tinham o único propósito de tornar conhecido como Deus é admirável, em si mesmo e em suas obras. Ele mereceu, portanto, ouvir dos próprios lábios de Nosso Senhor: “Tomás, você escreveu bem de mim”. Que recompensa tu pedes? O que a ti teria respondido, que estuda apenas por vaidade, curiosidade, interesse? Este santo não queria outra recompensa que o próprio Deus. Se em teus estudos e trabalhos tu procuras algo que não seja a glória de Deus e tua salvação e a de seu próximo, perdes teu tempo.
II. Este sol aqueceu tanto quanto iluminou; Ele queimou os corações dos outros com o fogo do amor divino, porque o seu próprio coração foi completamente tomado por Deus. Venha, com Santo Tomás, buscar este fogo sagrado no Coração do Salvador: nele aprenderemos a ciência dos santos, sem a qual nossas luzes são apenas brilho que nos levará ao precipício. Para nada serve a erudição, se a ciência de Deus não a coroar. (São Jerônimo)
III. O conselho é atualidade perene. Em vão Santo Tomás brilharia com tal brilho se não tivesse trabalhado para a glória de Deus; mas sua virtude não era menos admirável que sua ciência, e o que ele ensinou aos outros, ele foi o primeiro a praticar. Homens sábios, Deus espera muito de vós: porém serão mais culpados do que os outros se não forem virtuosos. Vamos nos humilhar segundo o exemplo de Santo Tomás, porque tudo o que temos vem de Deus. Não temos nada do que se gabar, porque nada é nosso. (São Cipriano)
O apego à oração.
Ore pelas crianças da escola.
ORAÇÃO:
Ó Deus, que iluminastes sua Igreja mediante a maravilhosa erudição de vosso bem-aventurado confessor Santo Tomás, e que a fecundais pela santidade de suas obras, nos conceda a graça de compreender os seus ensinamentos e imitar suas virtudes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
SANTO TOMÁS DE AQUINO, CONFESSOR E DOUTOR – 07 DE MARÇO
Santo Tomás nasceu em Rocca-Secca, no reino de Nápoles, em 1225, sendo seu pai o Conde Landolfo de Aquino, irmão do Imperador Frederico II.
Desde a mais tenra infância, o menino demonstrava rara sagacidade de espírito. Na idade de 5 anos sua educação foi confiada aos monges Beneditinos do Monte Casino, cujo Convento se erguia em frente ao Castelo do santo. Ali o pequeno Tomás revelou aplicação constante aos estudos e compreensão sem igual.
Conversava pouco, parecia até taciturno e distraído, como indiferente a tudo o que se passava em redor de si. Na idade de 10 anos frequentou em Nápoles os cursos de belas artes e dialética, continuando também os estudos das ciências físicas, metafísicas e morais.
As mais árduas matérias eram um brinquedo para esta criança, que se fazia notar em todas as aulas pela clareza, a profundeza e o dom da fórmula positiva e adequada, que lhe era peculiar.
O atrativo para a vida religiosa, contemplativa e ativa, em breve o levou até Nápoles, ao Convento dos Dominicanos, em 1243.
Tomás tinha, então, 18 anos. A família, sobretudo a mãe, a Condessa Teodora, apesar de piedosa, tudo fez para desviar o jovem conde daquela resolução. Tornou o caminho de Nápoles para opôr-se à resolução de seu filho, porém, Tomás, avisado da sua. vinda, pediu que o mandassem secretamente à Roma, donde seguiu com destino a Paris.
A Condessa não se deu por vencida, mas recorreu a seus dois outros filhos, brilhantes oficiais do exército do Imperador, pedindo-lhes que prendessem o fugitivo em caminho.
Tomás foi preso, de fato, e tornou-se cativo de sua própria mãe, numa estreita cela do castelo paterno. Ali, a mãe recorreu a todos os meios para fazê-lo mudar de ideia: lágrimas, súplicas, carícias, eloquência materna, mas tudo em vão.
Tomás, sensibilizado, sofrendo pela dor, que causava a sua mãe, respondia com todo respeito que "Deus é o primeiro pai, a quem devemos obediência".
Após os ataques da mãe, sucederam os ataques repetidos de suas irmãs, desfeitos por Tomás que chegou a ganhar uma delas para a vida religiosa.
A Condessa, vendo que não podia vencer pela doçura, recorreu à fôrça e mandou encarcerar o filho. numa das torres do castelo, encarregando os dois oficiais, que haviam chegado, de vencer a resistência do irmão. Um deles, verdadeiro fratricida, recorreu ao meio mais infame para perder a vocação do irmão. Resolveu abatê-lo pela voluptuosidade. Contratou uma jovem e bela cortesã, conhecida por sua astúcia, e introduziu-a na cela de Tomás.
A luta foi curta, mas enérgica. Compreendendo o perigo que corria sua virtude, o jovem tirou da fogueira de sua cela um tição ardente, foi ao encontro da tentadora, ameaçando de queimá-la, se não se retirasse imediatamente. A cortesã não se fez de rogada, e mais depressa do que tinha vindo, fugiu diante do tição aceso. Depois, ufano da rápida vitória, tal o cavaleiro com a sua espada, traçou com o tição abrasado, um grande sinal da cruz na parede da cela, caiu de joelhos e pediu a Deus o dom de uma virgindade perpétua, superior a todos os ataques. Um sono extático apoderou-se do jovem e este viu aparecer dois anjos, que lhe cingiram os rins com o cordão da castidade. Finalmente, após um ano de reclusão, o conde e a condessa, seus país, fecharam os olhos sobre uma evasão possível, e, à noite, Tomás pôde descer por uma janela da torre, voltando logo a seu Convento em Nápoles. Tinha apenas 19 anos de idade.
Daí em diante, o angélico Tomás irá de triunfo, em triunfo, crescendo em virtude e ciência, até tornar-se o grande luzeiro teológico e o incomparável santo, que, hoje ainda, o mundo admira e venera.
O Evangelho das Festas Litúrgicas e dos Santos mais populares. 2ª Edição: Manhumirim: O Lutador, 1952. pp. 118-123.
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Suma Teológica
Dominicano, Doutor Comum da Igreja, também chamado de Doutor Angélico (1225-1274). O maior teólogo da Igreja, autor da Summa Theologica.
RESPOSTA À SEGUNDA.
– Como em Deus se identifica a potência de gerar com a geração, assim também a essência divina é realmente idêntica à geração e à paternidade; mas não, racionalmente.
RESPOSTA À TERCEIRA.
– Quando digo – potência de gerar, significo a potência diretamente, e, indiretamente, a geração, como se dissesse – essência do Pai. Por onde, quanto à essência significada, a potência de gerar é comum às três Pessoas; porém, quanto à noção conotada, é própria à Pessoa do Pai.
#TratadoDeDeoUno41Art5
Art. 5 – Se a potência de gerar ou de espirar significa a relação e não a essência.
(I Sent., dist. VII, q. 1, a. 2; De Pot., q. 2, a. 2).
O quinto discute-se assim. – Parece que a potência de gerar ou de espirar significa a relação e não a essência.
1. – Pois, potência por definição significa princípio; assim, dizemos que a potência ativa é principio de agir, como se vê no Filósofo. Ora, a Deus, o princípio, quanto à pessoa só se lhe atribui nocionalmente. Logo, a potência, em Deus, não significa a essência, mas, a relação.
2. Demais. – Em Deus, não diferem o poder e o agir, Ora, geração, em Deus, significa relação. Logo, também a potência de gerar.
3. Demais. – O que em Deus significa a essência é comum às três pessoas. Ora, a potência de gerar não é comum às três pessoas, mas, própria ao Pai. Logo, não significa a essência.
Mas, em contrário, assim como Deus pode gerar o Filho, assim também o quer. Ora, a vontade de gerar significa a essência. Logo, também a potência de gerar.
SOLUÇÃO.
– Certos ensinaram que a potência de gerar significa relação, em Deus. – Mas tal não pode ser, pois potência propriamente se chama ao princípio pelo qual um agente age. Ora, todo agente que produz um efeito, pela sua ação, produz o que lhe é semelhante, quanto à forma pela qual age. Assim, o homem gerado é semelhante ao gerador, pela natureza humana, por cuja virtude o pai pode gerar um filho. Por onde, pela potência geratriz de qualquer gerador, este se assemelha ao gerado. Ora, o Filho de Deus se assemelha ao Pai gerador, pela natureza divina. Portanto, a natureza divina, no Pai, é a sua potência de gerar. Por isso, Hilário diz: A natividade de Deus não pode deixar de ter a natureza da qual se originou; e nem subsiste diferente de Deus, porque não subsiste por uma causa diferente de Deus.
Donde concluímos, que a potência de gerar significa principalmente a essência divina, como ensina o Mestre das Sentenças; e não somente, a relação ou a essência, enquanto idêntica à relação, de modo a significar igualmente esta e aquela. Pois, embora a paternidade seja expressa como forma do Pai, contudo é propriedade pessoal, estando para a pessoa do Pai como uma forma individual, para um indivíduo criado. Ora, a forma individual das coisas criadas constitui a pessoa generante; mas não é o principio pelo qual o generante gera; porque então Sócrates geraria a Sócrates Por onde, nem a paternidade pode ser concebida como o principio pelo qual o Pai gera; mas, como constituindo a pessoa do generante, sem o que o Pai geraria o Pai. Ora, o princípio pelo qual o Pai gera é a natureza divina, pela qual o Filho com ele se assimila. E neste sentido, Damasceno diz, que a geração é obra da natureza, não como generante, mas como o principio pelo qual o generante gera. Por onde, a potência de gerar significa diretamente a natureza divina, mas indiretamente, a relação.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO.
– A potência não significa a relação mesma de princípio, do contrário estaria no gênero da relação; mas significa princípio, não no sentido em que o agente o é, mas no em que o é aquilo pelo que o agente age. Ora, o agente distingue-se do seu efeito e o gerador, do gerado. Mas aquilo pelo que o gerador gera é comum ao gerado e ao gerador; e tanto mais perfeitamente quanto mais perfeita for a geração. Por onde, sendo a geração divina perfeitíssima, o princípio pelo qual o gerador gera é-lhe comum com o gerado, e com ele idêntico numericamente, como nos seres criados. Quando dizemos, pois, que a essência divina é o princípio pelo qual o gerador gera, não queremos significar que ela se distingue do gerado, como se concluiria se disséssemos que a essência divina gera.